sábado, 16 de julho de 2011

Apos a tempestade vem a bonança


Na quinta-feria ocorreu o pior dia da viagem até agora. O joelho doía e eu ainda fiz a arte de corta-lo em uma chapa de aço enferrujada (para tirar foto dentro de um avião velho). Cheguei em Conventry as 19:00 e ninguem sabia localizar o endereço de Muriel (nem os taxistas, que cada hora me mandavam para um lado da cidade). Faltando pouco para as 21:00 eu percebi que os taxis da Inglaterra transportam bikes (O Black Cabs londrinos estão em toda Inglaterra). Não tive dúvida e meti a Endorfine no taxi de um indiano, que somente achou o endereço com ajuda do GPS. Para variar a casa ficava no suburbio distante da cidade. A cidade é cheia de aneis rodoviários e viadutos e sozinho eu me perdi várias vezes. Bom! localizado o endereço, novo problema, pois ao chegar na casa de Muriel ela já havia saído para a festa Couch Surfing aonde eu era esperado. A culpa foi minha, pois eu tinha o telefone de Muriel e deveria ter ligado tão logo cheguei à Conventry. Mas a pão duragem de comprar cartão e a pretensão de achar o endereço rápido me fizeram perder contato com Muriel. Uma mulher atendeu a porta na casa de Muriel e até agora não sei o parentesco ou o vínculo. Ela foi curta e grossa e disse que Muriel morava ali, mas não estava e que eu voltasse mais tarde. Tentou (sem muita vontade) acessar o celular de Muriel, mas disse que não atendia. Agradeci e sai para comer alguma coisa. O bairro é de suburbio e multi etnico. Entre chineses e indianos, escolhi o que me parece uma lanchonete tailandesa, que vende um COMBO de Sanduiche, Pepsi e batata Frita por 3,95. Pepsi quente, Sanduiche da foto diferente do entregue. O "tailandes" disse que não tinha salada . Ele me entregou um pacote e quando eu abri para comer ele disse que eu não poderia comer no local e deveria sair, pois ali era só pra comprar, não pra comer. As quase 22:00 não tinha força para protestar saí e percebi que o bairro não era muito convidativo. Em caso de perigo, torne-se mais perigoso aos olhos dos outros (rsrsrsrr) entrei no comércio 24 horas dos muçulmanos e já fui puxando conversa. Fiz cara de doido (o que não é difícil depois de 100 km pedalados) e perguntei onde era o pior Hotel da região. Não havia Hoteis, nem campings na região. Voltei a porta de Muriel e ao bater não recebi resposta alguma. Decidi que não seria conveniente esperar ali. Pedalei cerca de 15 km até o centro. NO centro não encontrava Hoteis com vaga. Parei um taxista paquistanês (primeira coisa que pergunta é "Are you from?" e já demostro conhecer algo sobre o país do camarada.. todo mundo é um pouco nacionalista..e derruba barreiras..rsrsrs). O pauistanês disse que a única opçao seria o IBIS (eu tinha passado no IBIS, as 20:00, tentando acessar a internet e já perguntando preço, pois o IBIS administra o FORMULA UM anexo que anunciava 19 libras a pernoite, mas não havia mais vagas) Ao chegar no IBIS quase meia noite a mesma gerente mal humorada, que havia me dado o preço de 33 libras, às 20:00, agora anunciava que o preço era 56 libras. Naquela altura. um frio danado, cansado, depois de pedalar sei lá quantos quilômetros, eu só queria entrar um chuveiro e cair em uma cama. Tive caimbras terríveis em todos os músculos do corpo (acredito que foram espasmos musculares) devido ao esforço do dia e ao frio ( e o stress) ..Queria agradecer a Barbara Bella, que estava on-line na hora e me deu apoio, pois ao tentar levantar da cama eu tive as caimbras e quanto mais eu mexia,outros músculos entravam na "briga".Tive até calafrios de tanta dor (e acho que febre). Tomei dois dorflex e dormi bem. De manhã deixei o Hotel desanimando pelo gasto excessivo de 70 libras em um dia (entre Hotel e taxis). Rumei para Derby pensativo , por que diabos uma pessoa se compromete em fazer tamanha aventura, e passar privaçoes. Refleti que o único errado fui eu. E não planejei (ou planejei errado) meu dia. Decidi que não poderia me fiar em Couchs e endereços distantes e decidi seguir para Derby para buscar acampamento selvagem. Quando completei 60 km exatos, a tarde, as pernas já não respondiam e eu estava no meio do nada, distante cerca de 30 km de Derby. Parei em um entroncamento e não tinha forças para seguir. Abri o mapa e tentei pensar qual o melhor lugar a seguir para encontrar um pouso. De repente ouvi uma freada de bike logo atrás de mim. Do nada surgiu um jovem ciclista, trajando uniforme de ciclismo escrito TORINO. O jovem perguntou se eu precisava de ajuda e eu prontamente disse que estava perdido a caminho de DERBY. Ele disse que vissivelmente ele notava que eu não chegaria a DERBY naquele dia. Convidou-me a acampar no jardim da casa dos pais dele. Eu não conseguia nem concatenar as palavras em inglês e diante da minha fala desconexa (não estava bebado,,rsrs) ele perguntou se eu falava italiano e passou a se expressar em tal lingua. Disse que estudou na Italia e fez o Giro da Italia por uma equipe turinesa. Ao chegar na casa dele a mãe e o pai me trataram como Embaixador do Brasil na Europa (literalmente, anunciaram isso a todos) fui levado ao restaurante da cidade, onde bebi e comi de graça (tentei pagar e o anfitrião não deixou. Hoje de manhã Joseph ( o nome do jovem ciclista) serviu de batedor por quilometros até me mostrar a melhor BIKE WAY para DERBY. Isso tudo debaixo de uma chuva constante. Pedalei um pouco mais de 25 quilometros e decidi tirar o resto do dia em descanso, mas não parado, pegando um trem para Doncaster, pois Paul me esperava para hoje e eu não chegaria pedalando (alias só atletas conseguiriam com dificuldade). Para colocar o roteiro no eixo, decidi pelo trem. Cheguei na casa de Paul com os alforges encharcados e ao abrir vi que ele não era impermiável e todas minhas coisas estavam molhadas. Um livro que iria dar de presente ao Paul estava destruído. Diante da cena, Paul buscou um par de alforges impermiável novinho e me deu de presente. Ligou para a namorada, para o melhor amigo e disse que um Brazilian Guy que dava a volta ao mundo de Bike estava em sua casa, logo em sua casa, e isso era uma honra e uma grande ocasião,pois de tantas cidades e pessoas no mundo eu havia escolhido a casa dele..Incrível o cara me agradecia por estar na casa dele. Novamente fui levado a um excelente PUB onde bebi (boa cerveja) e comi maravilhosamente bem totalmente 0800. Ao saber que gosto de história fizeram questão de me mostrar os pontos históricos da cidade. Eu não sabia o MayFlower partiu de um rio da cidade. Realmente, após a tempestade vem a Bonança... Detakhe: Paul é triatleta e fico surpreso ao pensar que de ontem pra hoje, um ciclista jovem que fez o Giro da Italia e um triatleta "gigante",literalmente me reverenciaram.. amanhã terei dois batedores até a saída da cidade. Paul e seu amigo John (duro é acompanhar esses caras em suas Speeds TREK..

Um comentário:

  1. Emagreceu bastante hein Henrique, rsrs, e os créditos vão só para a Bárbara Bella, o amigo de plantão no face não né KKKKKK.

    ResponderExcluir